Por que é assim que eu sou. bela! Cresço ligeiro, estendo meus braços carregados de flores e me ofereço aos pássaros no espaço, no mesmo instante em que também desço ao chão e faço pra vocês tapetes. Nem sempre sou compreendida, pois que necessidade haveria de ter, flores tão bonitas, espinhos tão vaidosos! Decerto que sentem inveja da flor, roubam para eles a atenção de quem se aproxima, amam ferir e espalhar o medo. Com isso, ganho toda a repulsa, todas as opiniões de que devo ser eliminada em definitivo ...as BUGANVILEAS de Dra Inácia. Gente! Corre aqui! alguém mais me defenda. Preciso ganhar mais adesão de pessoas que me queiram inteiras, perenes, que me podem só um pouquinho, de vez em quando, para eu não perder a beleza, nem deixe de ver o encantamento no olhar daqueles que se aproximam sem medo, e de mim levam o melhor cacho, as minhas melhores pétalas... e se ouso dizer que flor pode sentir, que pretensão a minha! Sinto-me estranhamente feliz quando de mim extraem o melhor.
Mas não posso muito, não posso nada além do que está determinado pela minha essência de flor. Componho o cenário, trazendo vida a essa paisagem que de mim destoa, mas me envaideço de poder amenizar-lhe o desencanto, o descaso e a destruição que persiste ao longo dos tempos, por gestões, cujas mãos, não seguram com firmeza o elo que deve existir entre a teoria e a prática, entre o discurso e a ação, e se faz no dia a dia como numa ciranda infantil, quando um corre mais que o outro, quebrando a cadeia, o elo, o sentido.
Louvo a liberdade do sentir, do desejo, da vontade e necessidade de desambiguação que permeia tudo que é vivo, porém já não me serve. Tudo já foi propalado! Não tenho forças para impedir... segurar o desastre. Por favor, cuidem de mim! De outro modo só terão para enxergar esse cenário triste que se estende abaixo... e sentirão saudades de mim.








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